Na escola em que estudei, o conhecimento quanto aos movimentos artísticos, isto é, suas características, principais obras e artistas, era mais importante do que a autoexpressão. Por isso, uma das memórias marcantes da arte que tenho, encontra-se no último ano do Ensino Fundamental. Momento marcante, por ser um dos únicos, que pude tocar em lápis de cor e papel, para um trabalho da escola, vinculado a disciplina de artes.
Nos
estudávamos sobre o modernismo, e, o professor pediu para que fizéssemos um
desenho que apresentasse características desse movimento artístico. Como
resultado da minha incapacidade de autoexpressão, passei uma semana pensando no
que fazer, e acabei não pensando em praticamente nada. Talvez, o ambiente competitivo,
me fez reprimir meu desejo de fazer algo que pudesse ser considerado ‘’medíocre’’.
Assim, escolhi fazer o quadro de Di Cavalcanti, a mulher com gato. Nem ao menos
me dei ao trabalho de tentar mudar alguma coisa, mas mesmo assim, acabei sendo colocada
na lista das obras em destaque, não pela minha criatividade, até porque era
inexistente, mas, pela minha habilidade no desenho. Portanto, até mesmo nesse
momento, o que se buscava não era o principio da arte, isto é, a autoexpressão,
mas, aquele que poderia desenhar melhor de acordo com os padrões preestabelecidos.
Apesar
de gostar de desenhar bem mais que antes, por achar terapêutico, ainda tenho
muita dificuldade em fazer algo da minha autoria. Sempre preciso fazer o que já
foi feito ou me inspirar.

A artes tem o poder de libertação.
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